segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MOMENTO POÉTICO

Do rompimento


A triste folha quase seca divaga presa ao ramo de uma longa árvore
cheia de amargura pela proximidade de sua finitude
recorda saudosistamente seus dias verdes
chora a fugidez de uma primavera que não voltará
e antes que se notasse o passar da lua lá estava ela
mais seca, mais disforme, perdera toda sua cor


e quanto mais cor perdia, mais amarga se fazia e na secura extremecia
poderia a triste folha feliz vir a se tornar? - cantavam as flores
num baixo coro comedido de pudor
eis que repentinamente a folha cai, mas rápido que as outras
pesada e, mesmo já ao chão na queda permanecia
caindo


nem mesmo todo o ninho das mais vo...

Perdoem-me, sintom muito (não sabem o quanto), mas jamais poderei terminar
este texto, pela simples impossibilidade de voltar ao tempo
isso faz parte de nossa condição e, por vezes,
somos interrompidos, interditados, convocados pela objetividade da realidade
e, o imperativo desta convocação pode ser soberano, não podemos continuar
daí surge a grande tentação que na verdade se exprime neste texto:
"chorar a fugidez de uma primavera que não voltará"
mas esse não sou mais eu, não posso, não devo, não quero
Por isso aqui fica registrada a minha vontade
da criatividade
da liberdade
de mesmo no erro
no futuro me encontrar!


domingo, 22 de maio de 2011

MOMENTO POÉTICO

Sem alma nem prego



E tudo isso se esvai...
Pra onde eu não sei!
E por que haveria de saber?
Quando foi que assumi essa obrigação?
Ah! Lembrei!
Pactuei com meus demônios quando estes me convenceram da minha vitimidade.
Quando me convenci que só me amariam assim: quando eu soubesse, salvasse...
lutasse, assumisse, denunciasse, discutisse, protegesse, cuidasse, amasse...
asses, esses, isses...
Mas até entender que amor não é merecimento...
Que tudo que eu aprendi se resumia a defesa e controle.
Minha mentira que eu não via como minha me trouxe aqui.
Ao menos agora me vejo nú,
sem alma nem prego,
porque tudo aqui se esvai...

Andreas Lux

terça-feira, 8 de março de 2011

MOMENTO REFLEXIVO

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"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

- Clarice Lispector -
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É, eu gosto muito dessa frase de Clarice porque, como sempre, ela diz muita coisa em poucas palavras. E vamos combinar, que coisas que ela diz hein? Vamos lá!
Quando a gente acha que tem que mudar alguma coisa na gente, sei lá, qualquer coisa! Um comportamento que você percebeu e quer mudar em você mesmo porque acha que assim se tornaria uma pessoa melhor e isso é importante para você. Muitas vezes nós podemos querer arrancar isso da gente, você pode ficar se perguntando: - Por que que eu faço isso? Daí você decide que nunca mais vai fazer isso... Bem... Quantas vezes você conseguiu por completo eliminar tal comportamento sem deixar o mínimo rastro? É possível que muitas pessoas respondam que não. Sabe por quê? Porque também os seus "defeitos" fazem parte de você. Surge aí uma necessidade de se saber o que danado que é defeito. Para uma bailarina gostar de comer chocolate pode ser um defeito, assim como que para um religioso pode achar defeito gostar de carnaval, ou mesmo um ateu pode achar defeito acreditar em Deus. Defeito é um adjetivo gerérico para "Eu não gosto de". Bom agora que já sabemos isso, nos resta saber o porquê de "não gostarmos de". Isso, claro, leva muito tempo e demanda muita disponibilidade de nós. (Ixe que isso tá muito em falta)
Acredito que o importante é compreender que todas as nossas ações nos definem e mesmo os "defeitos" são uma forma de nós existirmos, é assim que nós nos apresentamos diantedo mundo. Logo, não é produtivo apontar o "defeito" do outro (que na verdade é seu, porque ele pode não o perceber assim) porque é parte dele, e saiba! Você também tem defeitos aos olhos do outros... E ainda bem que os temos, já pensou o que seria da humanidade se nós não tivéssemo defeitos? Como já dizia Freud: Nós seríamos muito melhores se não quizéssemos ser tão bons! E as vezes nós podemos nos perder justamente porque destruímos um "defeito" como diria Clarice: Nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro... Enfim, cabe a nós todos nos empenharmos neste eterno e árduo exercício de nos compreendermos um pouco mais, discernir o que me pertence e o que pertence ao outro sabendo que nada pertence a ninguém kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk








- Andreas Lux -

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MOMENTO MUSICAL

MOMENTO POÉTICO

Entrelaçados



Quem viu?
Quem provou?
Quem ouviu?
Quem sentiu?
Sem saber quem é você
Mergulhei dentro
Quebrando as correntes
Desatando nós.
No doce sufocar do teu beijo
Atordoado pelo teu toque.
Quando foi que me perdi em você?
Agora vago pelas ruas do teu coração
Ruas sem nomes
Cidades desgovernadas
Países sem mapas
Nações sedutoras.
Me tentaram
E tentei.
Por um instante, tentei povoá-las
Gritando pela pele
Aflorando sentidos.
Te desejo.
Desejo que sutilmente machuca
E aos poucos vai me tomando
Me fazendo te tomar em meus braços
Nos envolvendo nesse espaço
Sem limites
Sem verdades.
Onde a dor, é o lamento da distância.





-Andreas Lux-

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

MOMENTO REFLEXIVO

Da ambivalência que se revela



Consta no Aurélio: Curtir - Verbo transitivo direto. 3. Tornar rijo, são, saudável (uma pessoa), expondo-a ao sol, ao ar livre. 5. Padecer, sofrer, suportar. 7. Bras. Gír. Gozar, desfrutar, deleitar-se.
Nossa língua, neste caso nos revela uma ambivalência que não se encontra a nível semântico e sim a nível existencial. O Ser Humano é lançado no mundo imerso em uma grande falta. Cada um de nós, desde pequenos, aprendemos a nomear aquilo que nos falta com palavras, sons, gestos. Desejo. Mas nossa condição não se resume a isso, acredito, já que há momentos em que não queremos nada, e, não se iludam, não é quando temos aquilo desejado. Não somos apenas um buraco negro que suga tudo aquilo que deseja, também damos, por vezes até sem querer ou receber nada em troca mesmo que não saibamos. É mentira! Não nascemos imersos em falta! Surgimos sim é em meio a um grande vazio. Vazio. Vazio ao qual atribuímos sentido, pois este nos demanda e nos convoca a viver, a atribuir significado à existência, ao ser. Um desses sentidos pode ser a falta. Pode também ser o amor, Deus, a ciência, a humanidade, nosso umbigo... Não importa! Nós seres humanos, estamos sempre atados a algo, algo que nos imprime um uma cor, um cheiro, uma dor, uma doçura, um encanto, algo que nos define, nos diferencia, e nos assemelha, algo que nos torna humanos. Sem isso, não há humano, não há condição, não há nada. Somos seres artificiais, por artificiais eu tomo o sentido de culturais.
 Sim, a cultura é um artifício. Nós não nascemos “seres da cultura” custou aos nossos ascendentes milhões e milhões de eras para nos desenvolvermos, possuímos uma carga filogenética deveras consistente. A cultura tem algumas funcionalidades básicas: proteção, criação e alienação.
 Vivemos em sociedade por que esta nos possibilita mais força e proteção contra as adversidades (catástrofes naturais, ataques de predadores, etc). Afinal quando juntos nós padecemos pelo outro, esse outro que por várias vias se liga a mim, me define se definindo em mim, me relembra de minha condição, de minha fragilidade, esse é o verdadeiro sentido da empatia humana, enfim, juntos nesta rede chamada sociedade nos fortalecemos, literalmente, sem a sociedade que tanto criticamos (ainda bem) nossa expectativa de vida seria extremamente menor.
Criamos, sim, muitas coisas. Inventamos a linguagem, o direito, a medicina, a música, a dança, a religião, a arte, a economia, a ciência, a filosofia, a sociologia, a psicologia, são inúmeras as ferramentas com a finalidade de nos manter juntos, balancear as consequências dessa relação, amenizar nossa animalidade, etc. Tudo isso pesa sobre o pilar da sobrevivência. Mas nós, seres humanos, criamos desde os mais remotos tempos, porque precisamos criar, transformar, expressar algo que transmita a nossa complexidade e a nossa solidão. Possuímos esse lindo desejo inerente de deixar uma marca, de fazer, de nos mover, mesmo que não saibamos o porquê, mesmo que não percebamos, mesmo que não nos importemos em saber. Somos animais, que transbordam à natureza, que transbordam à linguagem, que transbordam às emoções, que transbordam à razão, existimos e transbordamos à existência.
Mas a cultura também nos aliena, sim, no sentido mais heideggeriano. É através da cultura que nos alienamos da angústia original, daquilo que é mascarado, sacralizado ou demonizado, em todas as culturas, sempre negado, temido, falo aqui da possibilidade das impossibilidades, da finitude, da morte. A finitude nos assombra silenciosamente, cada ato vivido nos remete ao tempo, o tempo de nossa existência breve, dentre o começo e o fim, todavia, há inúmeras formas de expressões dessa condição, cada escolha, cada sentido atribuído, cada possibilidade a cada momento nos retoma implicitamente à inquietação gerada pela questão da morte.
Diante da complexidade da funcionalidade da sociedade, do comportamento humano, da sua crise existencial vale ressaltar que não podemos falar de uma busca em atribuir um sentido à sua existência e sim sentidos. Somos seres plurais e diversos. Por isso somos ambivalência e inevitavelmente perpassamos isso para tudo em nossa vida. Fazendo analogia à palavra curtir: o homem lançado na facticidade precisa tornar-se rijo; são; se desenvolver; crescer nas suas múltiplas possibilidades; se expondo ao sol, à chuva, ao frio, ao vento, à complexidade que é viver. Contudo essa exposição também causa dor, sofrimento. Suportar o padecimento dessa vida é o preço por existir, conta que não nos foi dado o direito de negar. E inacreditavelmente o homem em meio a tudo isso ainda consegue conservar o direito de gozar, de desfrutar da vida, deleitar-se com os limões que ela lhe dá numa refrescante limonada. Homo sapiens: eis o mistério da ambivalência que se revela! 


 By Andreas Lux
        

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MOMENTO MUSICAL






Dio Come Ti Amo

Nel cielo passano le nuvole
che vanno verso il mare
sembrano fazzoletti bianchi
che salutano il nostro amore

Dio, come ti amo
non è possibile
avere tra le braccia
tanta felicità

Baciare le tue labbra
che odorano di vento
noi due innamorati
come nessuno al mondo

Dio, come ti amo
mi vien da piangere
in tutta la mia vita
non ho provato mai

Un bene così caro
un bene così vero
chi può fermare il fiume
che corre verso il mare

Le rondini nel cielo
che vanno verso il sole
chi può cambiar l’amore
l’amore mio per te

Dio, come ti amo

Un bene così caro
un bene così vero
chi può fermare il fiume
che corre verso il mare

Le rondini nel cielo
che vanno verso il sole
chi può cambiar l’amore
l’amore mio per te

Dio, come ti amo
Dio, come ti amo
 
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Deus Como Te Amo

No céu passam nuvens
que vão de encontro ao mar
lembram lenços brancos
que saúdam o nosso amor

Deus, como te amo
não é possível
ter entre os braços
tanta felicidade

Beijar os teus lábios
com perfume de vento
nós, dois apaixonados
como ninguém no mundo

Deus, como te amo
tenho vontade de chorar
em toda a minha vida
nunca senti isso

Um sentimento tão precioso
um sentimento tão verdadeiro
quem pode parar um rio
que corre em direção ao mar

As andorinhas no céu
que vão de encontro ao sol
quem pode mudar o amor
o meu amor por ti

Deus, como te amo

Um sentimento tão precioso
um sentimento tão verdadeiro
quem pode parar um rio
que corre em direção ao mar

As andorinhas no céu
que vão de encontro ao sol
quem pode mudar o amor
o meu amor por ti

Deus, como te amo
Deus, como te amo