Mostrando postagens com marcador Condição Humana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Condição Humana. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MOMENTO POÉTICO

Do rompimento


A triste folha quase seca divaga presa ao ramo de uma longa árvore
cheia de amargura pela proximidade de sua finitude
recorda saudosistamente seus dias verdes
chora a fugidez de uma primavera que não voltará
e antes que se notasse o passar da lua lá estava ela
mais seca, mais disforme, perdera toda sua cor


e quanto mais cor perdia, mais amarga se fazia e na secura extremecia
poderia a triste folha feliz vir a se tornar? - cantavam as flores
num baixo coro comedido de pudor
eis que repentinamente a folha cai, mas rápido que as outras
pesada e, mesmo já ao chão na queda permanecia
caindo


nem mesmo todo o ninho das mais vo...

Perdoem-me, sintom muito (não sabem o quanto), mas jamais poderei terminar
este texto, pela simples impossibilidade de voltar ao tempo
isso faz parte de nossa condição e, por vezes,
somos interrompidos, interditados, convocados pela objetividade da realidade
e, o imperativo desta convocação pode ser soberano, não podemos continuar
daí surge a grande tentação que na verdade se exprime neste texto:
"chorar a fugidez de uma primavera que não voltará"
mas esse não sou mais eu, não posso, não devo, não quero
Por isso aqui fica registrada a minha vontade
da criatividade
da liberdade
de mesmo no erro
no futuro me encontrar!


sábado, 11 de julho de 2009

2º Artigo

Tema:
SOLIDÃO




INTRODUÇÃO

Antes de tudo gostaria de delimitar bem o tema deste artigo, por ser um tema bastante complexo e por achar inapropriado afirmar que ele versará sobre a solidão sem antes contextualizá-lo historicamente e defini-lo. Pois não é minha intenção tentar abarcar todo o conceito desta condição em poucas palavras. Ressaltar também que, é um termo subjetivo, e pode ser ponderado filosoficamente, sociologicamente, economicamente, etc. Aqui adotarei uma postura nem um pouco neutra, pois irei escrever e expor aquilo que penso sobre, e as teorias que mais me agradam.

HISTORICIDADE

O termo “solitário” apareceu pela primeira vez na tragédia Coriolanus, Ato IV Cena 1, de William Shakespeare, escrita em 1608. Porém a solidão atrela-se à humanidade na sua origem, independente de crenças, e de quais teorias sobre a gênese humana adotemos, é inegável a coexistência, ou melhor, a coparticipação da solidão no surgimento da humanidade. Porém a solidão nos acompanha até hoje e se faz presente em poemas, músicas, filmes, livros, pinturas e em várias outras formas que o ser humano encontra para expressar-se e afirmar essa condição.

DEFINIÇÃO

A definição que adoto aqui, não é a mesma partilhada pelo senso comum, que afirma a solidão como sentimento de profundo sofrimento. Eu creio na solidão como condição humana, aquele estado comungado por todos e que desperta no homem as mais variadas reações. Assim quando nos “sentimos” solitários estamos nos dando conta da nossa condição. Logo o que faz sofrer não é a solidão em si, mas sim o perceber-se só, o encontrar-se nesta condição.

"Estar só é falar por si mesmo, é não ter diante de si, nem atrás de si, algo que lhe ampare, que lhe sustente; é não representar ou ser representado por algo. Rejeição é repulsa, desaprovação. Estar só não implica em rejeição e esta não leva necessariamente à solidão" – Jean-Paul Sartre

A dor que pode surgir durante esse processo de descobrir-se só pode gerar grandes problemas se o indivíduo que se depara com sua condição ainda não tem uma estrutura egóica suficientemente estruturada para lidar com o seu eu só. Mas quero deixar claro que não considero essa condição, uma maldição ou castigo, nem nada do tipo. Pois se pararmos para nos perceber, veremos que juntamente com a solidão está a autonomia em afirmar-se só, falar por si mesmo e assumir a sua existência idiossincrática. Gosto muito do conceito winnicottiano que fala que a mãe suficientemente boa precisa quebra a sensação de onipotência do bebê, frustrando-o, mas considero que o elemento chave deste momento não está na mãe que frustra o bebê, e sim no bebê que se percebe só diante do rompimento da onipotência.

CONCLUSÃO

Não tenho a presunção de inferir algum juízo de valor sobre a solidão, de forma alguma! Acredito que ela nos constitui independente de qual prisma a contemplamos, se acreditamos nela como sentimento ou como condição, o fato é: ela é inerente a existência humana. E acredito que só podemos atingir um nível superior de autoconhecimento se começarmos a nos confrontar com essa parte de nós, que no cotidianamente fazemos questão de ignorar, claro que, paulatinamente, e dentro dos limites de cada um.