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domingo, 2 de dezembro de 2012

MOMENTO POÉTICO


Poeminha




E correm as águas
como o perfume das mãos
mãos que não sabem de si
deslizando por entre corpos
correm para dentro
esbarrando nas emoções
saltando por entre os sonhos
estes perdidos no tempo evanescente



Tua alegria floresce em meu coração
e jaz em meu peito a fúria da desilusão
porque amo-te amando sem saber amar o que me faz amar
pelo simples fato de não saber te amar, amo-te.



- Andreas Lux -

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MOMENTO POÉTICO

Entrelaçados



Quem viu?
Quem provou?
Quem ouviu?
Quem sentiu?
Sem saber quem é você
Mergulhei dentro
Quebrando as correntes
Desatando nós.
No doce sufocar do teu beijo
Atordoado pelo teu toque.
Quando foi que me perdi em você?
Agora vago pelas ruas do teu coração
Ruas sem nomes
Cidades desgovernadas
Países sem mapas
Nações sedutoras.
Me tentaram
E tentei.
Por um instante, tentei povoá-las
Gritando pela pele
Aflorando sentidos.
Te desejo.
Desejo que sutilmente machuca
E aos poucos vai me tomando
Me fazendo te tomar em meus braços
Nos envolvendo nesse espaço
Sem limites
Sem verdades.
Onde a dor, é o lamento da distância.





-Andreas Lux-

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MOMENTO POÉTICO


XLVI



Das estrelas que admirei, molhadas
Por rios e rocios diferentes,
Eu não escolhi senão a que eu amava
E desde então durmo com a noite.



Da onda, uma onda e outra onda,
Verde mar, verde frio, ramo verde,
Eu não escolhi senão uma só onda:
A onda indivisível do teu corpo.



Todas as gotas, todas as raízes,
Todos os fios da luz vieram,
Vieram-me ver tarde ou cedo.



Eu quis para mim tua cabeleira.
E de todos os dons da minha pátria
Só escolhi o teu coração selvagem.



- Pablo Neruda -

domingo, 19 de setembro de 2010

Momento Quintana


A IMAGEM PERDIDA



Como essas coisas que não valem nada
E parecem guardadas sem motivo
(Alguma folha seca... uma taça quebrada)
Eu só tenho um valor estimativo...



Nos olhos que me querem é que eu vivo
Esta existência efêmera e encantada...
Um dia hão de extinguir-se e, então, mais nada
Refletirá meu vulto vago e esquivo...



E cerraram-se os olhos das amadas,
O meu nome fugiu de seus lábios vermelhos,
Nunca mais, de um amigo, o caloroso abraço...



E, no entretanto, em meio desta longa viagem,
Muitas vezes parei... e, nos espelhos,
Procuro em vão, minha perdida imagem! 


  

quinta-feira, 8 de julho de 2010

MOMENTO POÉTICO

Pirata




Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar. 



Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso. 




A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo. 


Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 7 de novembro de 2009

MOMENTO POÉTICO



Calmaria

Eu gosto daqui...
da sinfonia maestral
que os ventos fazem nas árvores
da coceira que ele faz
nos pêlos das minhas pernas
dessa proximidade com a natureza
de como ela me percebe
porque eu a percebo
e me percebo nela
aqui tudo é tão recíproco
não é como na realidade
mas, infelizmente, eu sei
que um dia terei de sair
dessa linda fantasia bucólica...

Andreas Lux


sábado, 10 de outubro de 2009

MOMENTO POÉTICO

Travessia


Eu conheço este lugar
Já vi estes olhos,
Esta face seca...
De onde te conheço?
Nela vejo marcas
Vejo sombras passando
Crianças correndo, uma queda!
O que é isso?
Uma lágrima?
Pena!
Estou muito sóbrio para me apaixonar por você
Você não me engana mais
Esse sentimentalismo foi estrangulado com o tempo.
Aprendi que para viver no mundo real,
Tenho que te ver assim, real
Sem medo, sem máscaras.
Lutei e sofri bastante pra poder te olhar
Como olho agora, sem pena, sem dor.
Já atravessei o rio, já cavei a terra.
O suor correu como uma serpente
Rastejando e envolvendo o meu corpo.
E no intento de aliviar o ardor
Quebro você
Tão delicado reflexo no rio.
Quão nobre não seria
Seguir Narciso.
Mas para mim você é mais real.
Já me estatelei no chão buscando por você
E agora, eu te amo, porém, sem ilusões.



- Andreas Lux -

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MOMENTO POÉTICO

SUBINDO O MORRO





Subindo o morro tem uma estrela,
Que ilumina a noite fria,
Que mescla luzes na pureza,
Azul e rosa, beleza cria.



Subindo o morro tem mistérios,
Que são banhados pela lua,
Iluminando amores sérios,
Contornando a carne nua.



Subindo o morro tem vidência,
A tua alma ali ascende,
Para mostrar a sapiência,
Da tua mente aqui presente.

 -Andreas Lux -