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sábado, 10 de outubro de 2009

MOMENTO POÉTICO

Travessia


Eu conheço este lugar
Já vi estes olhos,
Esta face seca...
De onde te conheço?
Nela vejo marcas
Vejo sombras passando
Crianças correndo, uma queda!
O que é isso?
Uma lágrima?
Pena!
Estou muito sóbrio para me apaixonar por você
Você não me engana mais
Esse sentimentalismo foi estrangulado com o tempo.
Aprendi que para viver no mundo real,
Tenho que te ver assim, real
Sem medo, sem máscaras.
Lutei e sofri bastante pra poder te olhar
Como olho agora, sem pena, sem dor.
Já atravessei o rio, já cavei a terra.
O suor correu como uma serpente
Rastejando e envolvendo o meu corpo.
E no intento de aliviar o ardor
Quebro você
Tão delicado reflexo no rio.
Quão nobre não seria
Seguir Narciso.
Mas para mim você é mais real.
Já me estatelei no chão buscando por você
E agora, eu te amo, porém, sem ilusões.



- Andreas Lux -

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

DOS SORRISOS METÁLICOS



Hoje eu quero falar sobre a vida, os laços, os rompimenos, acho importante sempre que nós seres humanos mantenhamos em nossas mentes algo fundamental: Nós nos constituímos no confronto com o outro, ou seja, é a partir do outro e com o outro que existe o eu. Pelo menos é no que eu acredito. Eu sinto uma enorme tristeza quando vejo pessoas que esqueceram isso, o quanto é importante viver aqui, na realidade, com todos. Agora, vem em minha mente algo que jamais esquecerei, em determinada situação, estava eu com um grupo de colegas, e havíamos acabado de passar por um processo seletivo para um curso superior numa instituição pública, e uma figura começa a dialogar com outra garota, no que eu estava presente e atento a discussão:

"Ah, eu sou do interior, moro na casa de parentes, mas eu não me sinto confortável sabe, eu passei um tempo muito mal e tive depressão e tudo, porque eu estudava com as pessoas e não conseguia passar... Tipo: Teve uma prova de matemática que eu ensinei toda a uma amiga, ela passou e eu não..."

Neste momento uma outra criatura disse:

"Ah, eu sei como é, olha, você não deve ensinar tudo que sabe para as outras pessoas, é como se você se esvaziasse..."


Nossa! Nesse momento eu tive náuseas, como aquela criatura poderia ter afirmado uma aberração daquelas??? O pior é que eu sei como! Hoje... não, hoje não, nossa mentalidade doentia não está só no hoje, ela vem de um passado cheido de injustiças, represálias, julgamentos e condenações arbitrárias! Nossa sociedade cultiva essa semente destrutiva, nós para sermos reconhecidos socialmente, temos que nos apresentar profissionalmente "bem-sucedidos", temos que vestir a roupa mais cara, ler os livros mais vendidos, assistir aos filmes da temporada!!!! Como diz aquela música de Zélia Duncan:

"Todo mundo quer ser bacana
Álbuns, fotos, dicas pro fim de semana
Filmes, sebos, modas, cabelos
Cabeça-feita, receitas perfeitas
Descobertas geniais

Todo mundo acha que é novo
Tribos, gírias, grifes, adornos
Ritmos exóticos, viagens experimentais

Pré-pós-tudo-bossa-band
Mente sempre muito bem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Gosto que me enrosco em quem?
Pré-pós-tudo-bossa-band
Não sei, mas tô dizendo amém"

Nossa, eu abomino esse idéia, ah! como! Nós temos uma idéia distorcida do que seria competitividade! Para nós, competir é ser melhor do que o outro, e, muitas vezes, ter que derrubá-lo para que isso transcorra como esperamos. Mas para mim, isso está bem distante do que é competir. Eu acredito que competir seja dar o seu melhor, e quando agimos desta forma, podemos ser destacados ou não, isso não nos torna melhor nem pior do que os outros, pelo contrário, isso abre uma possibilidade: demosntrando que sou bom em algo, demonstro que posso ajudar o outro em algo, além de estimulá-lo a se dedicar a algo, destacando-se também! Pra mi competir é isso, nada de insanidade, nada de desequilíbrio! Só queria diser isso!!! Eu voto por um mundo, não mais humano, nós somos humanos, somos frágeis e imperfeito, mas quero um mundo que não esqueça a sua humanindade, que não se tape para a maravilha da vida legada por Deus, quero andar pela rua e ver meu irmão olhando nos olhos do outro, se reconhecendo alí, se constituindo alí, se lembrando do que é ser humano...